André Alves, o violoncelista brasileiro que encanta as ruas de Lisboa

Lisboa possui muitos encantos e é cercada por arte, cultura e música de boa qualidade. Quem anda pelas ruas se apaixona pela diversidade que a capital lusitana exala. Assim é com o carisma do jovem artista de 22 anos, André Alves, nascido em Queimados, cidade do interior da Bahia, que vem encantando com a sua música, curiosos, apreciadores e passantes que vem e vão pelas ruas de Lisboa.

André Alves, violoncelista brasileiro, teve o primeiro contato com a música aos 13 anos de idade, no projeto social, Santo Antônio de Música, em Conceição do Coité, na Bahia. Por tratar-se de um projeto sem fins lucrativos, o Santo Antônio de Música, disponibilizava instrumentos clássicos para mais de 200 crianças, mas não possuía professores capacitados. Com o passar do tempo o artista começou a buscar conhecimentos fora, ingressando no Centro Universidade de Cultura e Artes da Bahia, onde formou-se em violoncelo.

Com a necessidade de ter maiores aprimoramentos, André Alves passou a participar de festivais de música clássica no Brasil que tinham professores de grande nome internacional. “Ir para estes festivais era muito complicado financeiramente, pois era necessário ter muitos recursos. Então, com essa necessidade financeira, eu comecei a criar meus próprios recitais para arrecadar fundos para estas viagens musicais. No sul do Brasil eu  participei do Festival Internacional de Música de Santa Catarina, onde recebi uma bolsa de estudo completa na Nicholls State University, para ter aulas com o violoncelista Dennis Parker, o que foi uma grande surpresa”, conta o artista.

Dois meses depois André foi a outro festival de música clássica em Brasília, sendo convidado pelo pedagogo do Violoncelo André Micheletti, para ter aulas com ele em São Paulo. Como tinha muito que aprender decidiu ir para São Paulo, onde foi acolhido pelo professor como um filho, sendo muito importante para o desenvolvimento no violoncelo e como ser humano. “Neste período da minha vida eu estava tendo aulas diárias, estudando arduamente e conhecendo grandes referências musicais. Ainda em São Paulo, ingressei no Instituto Baccarelli, onde desenvolvi um grande conhecimento do repertório orquestral e tive a chance de conhecer professores fenomenais”, explica André.

“Algum tempo depois, a Rede Globo contou minha história no Caldeirão do Huck em rede internacional e na ocasião, tive a grandiosa oportunidade de ser solista a frente da Orquestra Sinfônica Brasileira, uma das melhores orquestras do Brasil”.

Após essa grande visibilidade, o artista conheceu a Família Martins, Jocelma e João Martins, onde teve a honra de ser patrocinado por eles. “Eles me deram todo apoio moral e financeiro para que eu pudesse estudar fora do País. Juntos escolhemos Portugal. Eles pagaram minha passagem, aluguel, alimentação e propinas da instituição de ensino. Esse apoio foi a maior conquista de toda minha trajetória musical”.

Já em Lisboa, André iniciou os estudos na classe do professor Paulo Gaio Lima, no Conservatório da Metropolitana, posteriormente ingressando, na Academia Nacional Superior de Orquestra.

“Atualmente eu não tenho mais o apoio desta família, mas trabalho dando aulas de musicalização infantil, numa escola para crianças especiais. E para pagar meus atuais estudos toco nas ruas de Lisboa. Não é fácil, mas quando fazemos algo que amamos tudo se torna mais especial”, explica.

“Hoje, olhando para trás, eu sou eternamente grato aos meus pais que sempre me apoiaram, ao meu grande professor André Micheletti que tanto me acolheu, a família Martins por ter me dado a oportunidade de sonhar além do que sempre sonhei e ao meus professores de violoncelo cá em Portugal, Paulo Gaio Lima e Ricardo Ferreira por todo apoio e generosidade”.

“Eu como artista de rua neste momento do COVID-19 fui pego totalmente de surpresa, pois a minha maior fonte de renda agora estava sendo o meu maior perigo de vida. Eu ainda tive sorte de ter uma reserva guardada que acabou me possibilitando ter certa tranquilidade neste período, mas sei que esta não é a realidade dos meus colegas que também trabalham todos os dias levando suas artes para as ruas lisboetas. Acredito que este é um momento que todos temos para nos reinventarmos. A esperança não pode morrer, pois é na crise que sabemos quem realmente somos”.

“O cenário pós Covid-19 para nós artistas é muito complicado de se prever, mas sabemos que não será nada fácil ter a mesma instabilidade de antes. A lotação das salas de concertos serão alteradas, eventos online serão criados e assim a sociedade vai se adaptando e inovando. Precisamos ser fortes e não devemos parar de sonhar nunca”, conclui.

 

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