fbpx

Romântico e moderno, o Palacete Silva Monteiro abre-se à cidade

O Palacete Silva Monteiro, no Porto, sede da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, está a ser reabilitado para se tornar num centro de atividades culturais. As obras começaram em 2019 em parceria com o Departamento de Conservação e Restauro da Universidade Católica do Porto.

“Os nossos escritórios vão passar todos para o edifício ao lado. Queremos que esta casa seja valorizada pela possibilidade de ser vivida pelas pessoas”, explica Manuel Pinheiro, presidente da CVRVV. Numa visita guiada pela casa pelo historiador Joel Cleto, percebe-se que este Palacete é singular, assim como o era o homem que nele habitou e que lhe dá nome, António Silva Monteiro (1822-1885).

Ao contrário de muitos torna-viagem, que vinham de famílias modestas e faziam fortuna no Brasil, Silva Monteiro, também um torna-viagem, nasceu de uma família de comerciantes endinheirados. Mas por defenderem a causa liberal, que demorou alguns anos a vingar, acabaram de perder muitos dos seus bens. Silva Monteiro foi ainda jovem para o Brasil e lá montou uma empresa com o irmão.

Era uma empresa comercial, de importação, para venda no Brasil de grande variedade de bens e que tinha clientes tão importantes como os caminhos-de-ferro ou o exército brasileiro. Quando regressou, sem nunca abandonar a empresa sediada no Rio de Janeiro, adquiriu este palacete e logo o começou a transformar.

“A casa reflete o gosto das últimas décadas do século XIX, ainda romântico e repleto de revivalismos – neo-góticos, neo-manuelinos, neo-mouriscos – que então marcavam a moda”, diz o historiador. Apesar do gosto pelo passado, a casa tem imensas marcas modernas. “Silva Monteiro esteve envolvido em projetos importantíssimos de modernização da cidade e da região. Foi um dos principais impulsionadores do caminho-de-ferro do Porto à Póvoa e Famalicão, da construção do Porto de Leixões, foi presidente da Associação Comercial do Porto e um dos fundadores do Palácio de Cristal, inaugurado em 1885.

Esse gosto pelo progresso está presente em algumas das pinturas decorativas, bem como o seu gosto por plantas.

 

1. Sala Chinesa
No rés-do-chão, o piso da “representação social”, e virada para a rua principal, encontra-se a sala onde fuincionava o fumoir – sala de fumo – um espaço que comum em casas de burgueses endinheirados. Uma porta de correr separava esta divisão da sala de jantar. E aqui, essas portas, adaptam-se aos estilos das salas, sendo esta pintada do lado da sala chinesa, em padrões preto e vermelho. Reflete também o gosto pelo “exotismo da época”. O fumoir estava decorado com uma série de faianças e mobiliário oriental.

 

(Pedro Granadeiro/Global Imagens)

 

2. Motivos decorativos modernos
As pinturas que se encontram a encimar a caixa de escadas, podem parecer, numa primeira vista, bucólicas. Mas na verdade “é o que há de mais moderno na época” pois mostram a pujança do comércio. Uma, evidencia o enorme movimento de barcos em Massarelos, que era também o grande centro industrial dessa época. Noutra, a Baía de Guanabara (Rio de Janeiro) aparece com uma nuvem fumo ao fundo. “O fumo aqui é o símbolo do progresso. O mundo industrial que Silva Monteiro quer retratar”, diz Cleto.

 

(Pedro Granadeiro/Global Imagens)

 

3. Elementos vegetais
Tanto em pinturas como em pequenos relevos, a casa está repleta de motivos vegetais. Silva Monteiro era um apaixonado pela horticultura e floricultura. Na estufa da sua Quinta da Lavandeira (que vai ser agora recuperada pela Câmara Municipal de Gaia e integrada no Parque da Lavandeira) criava flores que chegaram a ganhar prémios nos festivais organizados no Palácio de Cristal.

 

(Pedro Granadeiro/Global Imagens)

 

4. Fonte francesa e jardim
Esta fonte do século XIX construída em ferro fundido em França – país que Silva Monteiro visitava com frequência – vai ser também recuperada. Assim, como todo o jardim, com vistas privilegiadas para o Rio Douro.

 

(Pedro Granadeiro/Global Imagens)

 

SALA DOURADA
Silva Monteiro viajava com frequência para França e terá sido numa dessas viagens que conheceu o artista Casimir Lefebvre, que desenhou as decorações da sala dourada.

 

 

 

 

 

Foto de Capa: Luísa Marinho

Fonte: Evasões

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *