Museu do Vinho de Redondo é lugar de descoberta do Alentejo vinícola

O Museu do Vinho de Redondo, aberto ao público em Setembro de 2001, foi concebido como ponto de partida para a descoberta do Alentejo e da sua tradição vitivinícola.

Com entrada gratuíta integra um espólio que reúne instrumentos agrícolas, objetos, imagens e material cerâmico e promove um dos produtos mais característicos desta região.

Divulga ainda textos associados à arte do fabrico do vinho, privilegiando o material cerâmico, característico deste centro produtor de cerâmica em que está incluído.

O Museu Regional do Vinho tem como principal função dar a conhecer os antigos processos de produção do vinho, os objetos utilizados, a importância deste produto para a região e as várias atividades relacionadas com a vinicultura.

Assim, todo o seu espólio foi disposto de forma a reproduzir a várias etapas da actividade vinhateira, desde o amanho da terra até ao copo. Para além do espólio permanente, neste museu podem ser visitadas exposições temáticas e conferências alusivas ao tema.

No local, o visitante pode consultar o quiosque multimédia que lhe permite obter informações acerca do museu, das adegas produtoras da região e de várias actividades relacionadas com a vinicultura.
Este espaço funciona em simultâneo com o posto de turismo da região e conta ainda com uma loja onde podem se adquirida uma selecção dos melhores vinhos tintos e brancos, das melhores safras da Região Alentejo.

As talhas: uma relíquia do passado

Fazer vinho em grandes potes de barro é uma tradição milenar. Este processo de vinificação desenvolvido pelos romanos tem sobrevivido no Alentejo e é agora é até retomado em forla por renomados produtores vitivinícolas.

Na região, a técnica de fazer vinho em talhas foi passando de geração em geração ao longo dos tempos, sem grandes alterações. No Museu Regional do Vinho de Redondo, há alguns exemplares de talhas que sobreviveram ao tempo e ao uso. Ao lado das talhas pode ler-se um texto escrito em 1875 por António Augusto Aguiar (1838-1887), professor, cientísta, político.

“As talhas, que caracterizam o sistema romano, apresentam-se com formas caprichosas, que algumas vezes copiam a natureza. São formas imitativas, que dão a ideia de vegetais, na maior parte dos casos (as talhas de Cuba imitam a forma de um nabo; as que se fabricam em Serpa, a figura de uma cenoura; as da Vidigueira, aproximam-se da figura de um rábano)”.

António Augusto Aguiar escreveu ainda que “a talha do Alentejo, além de ser uma relíquia romana, tinha, e não sei se ainda possui esta virtude, a pretensão de substituir as adegar subterrâneas, tal era a frescura que se lhe atribuía para conservar o vinho”. “À falta de museus arqueológicos, conservamos ali ao menos alguma coisa que mostrar aos estrangeiros, amantes de atingualhas”, completou o professor e cientista.

Sabe-se que o vinho de talha é produzido na Península Ibérica desde o período romano, sobretudo a sul do Tejo e o nome advém de ser fermentado numa talha de barro. Produzido sem recorrer à tecnologia, tem um sabor diferente e com cores mais carregadas.

Num artigo publicado na revista ‘Visão’, Virgílio Loureiro, professor do Instituto Superior de Agronomia, explica que cheira (e sabe) a barro e a pez de louro e possui apontamentos de especiarias (pimentas e cravinho).

Para resultar num genuíno vinho de talha é preciso utilizar um recipiente e uvas bem maduras, defende o professor, alertando que uma talha do século XVII não deve ser pintada (impermeabilizada) com tintas do séc. XXI, mas sim com pez de loureiro ou cera de abelha.
No passado, as talhas eram produzidas sobretudo em olarias de três localidades alentejanas: Campo Maior, Vidigueira e São Pedro do Corval.

 

Museu do Vinho de RedondMuseu Regional do Vinho de Redondo
Praça da República – Redondo
Coordenadas GPS: 38.646747,-7.54635
Telefone: +351 266909100
Email: museudovinho@cm-redondo.pt
Aberto de terça-feira a domingo:
– abril a outubro, das 10h às 12h30 e das 14h às 19h
– novembro a março, das 10h às 12h30 e das 14h às 18h
Encerra à segunda-feira e a 1 de Janeiro, Domingo de Páscoa,
1 de Maio e 25 de Dezembro

 

 

Fonte: Mundo Português

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