Há um novo (e famoso) iogurte islandês sem gordura à venda no supermercado

Feito com ingredientes 100 por cento naturais, fruta verdadeira, baixo teor de açúcar (só um toque de açúcar de cana) e sem vestígios de gordura. Este é o iogurte mais vendido na cadeia Whole Foods Market, nos Estados Unidos, e que chegou às prateleiras dos supermercados portugueses a 1 de maio. A composição do siggi’s já faz dele um produto incrível mas a forma como foi criado é ainda mais surpreendente. Já lá vamos.

Sendo um iogurte tipo skyr, a receita utilizada é a original islandesa com mais de de 1100 anos. Isto quer dizer que não contém conservantes artificiais, espessantes, edulcorantes, sabores ou cores.

É produzido a partir do leite desnatado do que resta depois de retirada a nata para a produção de manteiga. Como a maioria da água do leite é coada, o iogurte fica mais espesso comparativamente com as versões regulares. É também por isso que um pote de siggi’s precisa de quatro vezes mais leite do que uma versão normal.

Os potes de 150 gramas estão disponíveis nas grandes cadeias e em algumas lojas gourmet portuguesas em três versões: natural (5,3 gramas de açúcar, 17 gramas de proteína e 90 calorias); morango (11 gramas de açúcar, 15 gramas de proteína e 108 calorias); e mirtilo (11,1 gramas de açúcar, 15 gramas de proteína e 109 calorias).

Todas estas opções foram criadas a partir da receita de família de Siggi Hilmarsson.

“Sempre tive iogurte à minha volta e a minha mãe dava-me iogurte natural com açúcar amarelo e natas. Hoje em dia, adoro comê-lo natural com nozes e mirtilos. É o meu pequeno-almoço favorito. Mas gosto de todos. Pedirem-me para escolher entre uma das nossas versões é como perguntar de que filho se gosta mais e não há favoritos”, conta à NiT o islandês de 43 anos.

Siggi Hilmarsson tem 43 anos.

Quando era miúdo, o criador da marca de iogurte queria sempre mais açúcar em tudo. Porém, lembra-se que a mãe restringia as quantidades e que isso influenciou os seus hábitos alimentares.

“Não sei se os meus pais pensavam ativamente na importância de seguir uma alimentação saudável mas comíamos os pratos tradicionais. Batatas, cenouras, peixe e pão faziam parte. O meu pai, por exemplo, comia sempre arenque ao almoço.”

Em 2004, quando tinha 25 anos, decidiu ir para Nova Iorque, nos Estados Unidos, tirar um MBA (Master Business Administration) na Universidade de Columbia. Nessa altura, ainda estava longe de imaginar que a sua receita caseira ia ser um sucesso.

Na entrevista exclusiva à NiT, Siggi Hilmarsson revela que adorou a energia da cidade. Mas foi um choque mudar-se de um sítio com 200 mil pessoas para outro onde vivem mais de oito milhões. No entanto, esse não foi o maior problema.

Um dos grandes desafios era ir ao supermercado. Como nunca se tinha apercebido da quantidade de açúcar que os americanos colocam em tudo, tornou-se complicado manter uma alimentação saudável.

“Tirar da prateleira um produto que não tivesse açúcar era difícil. Mas ao fim de algum tempo acabas por descobrir algumas opções, assim como a sentir necessidade de ler mais os rótulos. A verdade é que provei imensos iogurtes mas não encontrava nenhum de que gostasse. E esse era o problema”, conta.

Resultado: pediu a receita à mãe, que já vinha do tempo da bisavó paterna, e no Natal de 2004 fez o próprio iogurte em casa. Rapidamente percebeu que, tal como ele, muita gente podia estar a desesperar por uma versão mais saudável. Por isso, continuou a trabalhar no iogurte e em 2006 já tinha um produto, que é aquele que vende atualmente.

Primeiro, decidiu dar a provar aos amigos, que adoraram. Nesse ano, foi para um mercado de rua em Manhattan para vender as primeiras unidades. O islandês tinha 29 anos na altura.

“As pessoas eram curiosas e compravam, mas demorou algum tempo até conseguir montar mesmo um negócio”, revela.

Chegaram a Portugal três versões (mas há mais sabores).

No mesmo ano em que levou o iogurte para os mercados e percebeu que os clientes voltavam para comprar o produto, Siggi decidiu despedir-se do trabalho como consultor de empresas e investiu na sua marca.

“Não podia esperar pelo momento em que tivesse sucesso porque a produção do iogurte era um trabalho a tempo inteiro. Se não me tivesse dedicado a 100 por cento, talvez agora não fosse assim.”

Passado pouco tempo, conseguiu pôr o agora popular iogurte à venda em duas lojas Murray’s Cheese, sendo que uma delas ficava na estação de comboios de Nova Iorque. Naquela altura, o produto vinha num copo pequeno e com um rótulo feito à mão.

Em 2007, foi descoberto pela cadeia de supermercados Whole Foods. Em janeiro do ano seguinte o siggi’s estava já nas prateleiras de todas as lojas e rapidamente se tornou o mais vendido. Em 2017 faturou 122 milhões de euros no mercado norte-americano. A receita continua a ser fiel à versão original e o leite é rigorosamente escolhido em quintas do Wisconsin e dos arredores de Nova Iorque.

“Os meus pais ficaram surpreendidos com aquilo que alcancei mas adoraram. Digo sempre que a minha mãe tem sentimentos mistos em relação a isto: sabe que quanto mais sucesso tenho, menor é a probabilidade de voltar para casa.”

O islandês acredita que a entrada da marca nos supermercados portugueses, através da Lactalis-Nestlé Portugal, vá correr bem, uma vez que “aquilo que diferencia o siggi’s dos outros iogurtes skyr é que só contém ingredientes naturais”.

O produto vendido atualmente vem numa embalagem de plástico reciclável. À volta tem uma etiqueta em cartão que, além do rótulo, tem escondida a história do iogurte. É fácil de retirar, facilitando também o processo de reciclagem do copo. Cada unidade tem um preço de venda ao público recomendado de 1,29€.

 

 

Fonte: Nit

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