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O que está a acontecer com as Relações Luso-Brasileiras? - SouPortugal
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O que está a acontecer com as Relações Luso-Brasileiras?

No atual contexto mundial e, particularmente, no âmbito do secular e reconhecido relacionamento luso-brasileiro, estamos a assistir um quadro que nos deixa sérias preocupações e merece de todos nós, uma importante reflexão e adoção de medidas que possam vir a alterar este estado de coisas.

Neste recente 22 de Abril, dia das comemorações do Descobrimento do Brasil e da Comunidade Luso-Brasileira, verificamos que, mesmo no seio da nossa colônia portuguesa no Brasil, os festejos e eventos alusivos à data estiveram abaixo de outros anos, quando assistíamos a atos com expressivo vigor patriótico, com a presença de grande público e das figuras mais expressivas das nossas lideranças associativas.  Nos últimos anos, tal quadro foi, certamente, admitido em decorrência da pandemia que nos atingiu e justificou o seu temporário abandono.  Entretanto, neste ano, quando os festejos populares e a realização de eventos sociais, culturais e musicais voltaram a acontecer, não se justifica o esquecimento na passagem de data tão importante.

Teremos, neste próximo 10 de Junho, uma nova oportunidade para que os nossos vínculos seculares e marcantes possam vir a ser relembrados, quando se festejarão o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, data que deve ser vivida por todos os portugueses, onde quer que se encontrem e que não podemos deixar de estar presentes, demonstrando o nosso respeito à Nação, ao seu poeta maior e aos milhões de portugueses espalhados por todos os continentes.

Neste ano, o relacionamento luso-brasileiro passa por uma visão macro, com as comemorações do Segundo Centenário da Independência do Brasil e do Centenário da Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul, epopeia vivida por Gago Coutinho e Sacadura Cabral.  É de se esperar os devidos registros e as merecidas comemorações promovidas pelos governos brasileiro e português.

É momento de reavivarmos nossas relações, de estimularmos nossas inciativas comuns e de estimularmos nossos filhos a nunca deixarem de priorizar esses acontecimentos, principalmente num momento em que a presença brasileira em Portugal alcança números nunca antes alcançados, diante dos brasileiros que passaram a adotar Portugal como seu país de residência, que, segundo estudos, atinge a mais de 600.000 almas, visto que aos 212.000 brasileiros que estão a residir oficialmente em Portugal, há ainda aqueles que ainda não regularizaram sua situação, assim como os brasileiros que estão em Portugal ao abrigo da sua dupla nacionalidade portuguesa e aos brasileiros que residem em Portugal, em decorrência de sua dupla nacionalidade italiana, espanhola, alemã, francesa entre outras.

Precisamos rever nossa aproximação e vejo com tristeza, estar a acabar o governo do presidente Jair Bolsonaro, sem que o supremo mandatário brasileiro tenha feito a uma viagem oficial a Portugal, fato que altera uma tradição há muito observada, bem como a falta da realização de nenhuma Cimeira Luso-Brasileira, onde importantes decisões bilaterais costumam ser adotadas e que tem sido adiada ano após ano.  Um dos itens mais desejados para ser apreciado na pauta da próxima Cimeira será viabilizar a Convenção para Evitar a Tributação entre Brasil e Portugal, de forma a que os beneficiários de aposentadorias e pensões de um dos países passem a ter os seus proventos tributados no país de destino e não como atualmente, no país de origem, permitindo que passem a ter um tratamento isonômico ao dado nas Convenções mantidas pelo Brasil com a Itália, Espanha, Alemanha e Japão.  Não é justo o atual tratamento desigual.

Devemos, pois, portugueses e brasileiros, ficar atentos às ações que estimulem o nosso relacionamento, procurando estimulá-lo de todas as formas, seja no âmbito de nossas relações bilaterais, como também no seio da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa, entidade que tem dado expressivos passos na aproximação e relacionamento entre os cidadãos de suas respectivas nações.

 

Por EDUARDO NEVES MOREIRA
Vice-Presidente da Academia Luso Brasileira de Letras
Ex-Deputado da Assembleia da República Portuguesa
Ex-Presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas

 

 

 

Fonte: Mundo Lusíada

 

 

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