Alfacinhas e Tripeiros: Porquê?

Porque é que os lisboetas são alfacinhas e os portuenses tripeiros?

As alfaces estão na origem de uns e as tripas na origem de outros e se a razão de serem tripeiros é clara, histórica e honrosa, parece que a dos alfacinhas é menos clara, apesar de igualmente histórica.

Dito isto, o epíteto “tripeiros” tem uma única origem, já a alcunha “alfacinha” pode ter várias de acordo com as diversas teorias.

Vamos ao mercado… ver as alfaces e os enchidos!

O termo “alfacinha” tornou-se mais conhecido a partir do momento em que Almeida Garrett o referiu no seu livro “Viagens na minha terra”, editado em 1846.
Garrett escreveu a dada altura, nesta sua obra, “Pois ficareis alfacinhas para sempre, cuidando que todas as praças deste mundo são como a do Terreiro do Paço”.
 

Uma das explicações diz que os lisboetas são alfacinhas porque, há muitos séculos, as colinas de Lisboa se enchiam desta planta que era usada para a culinária, para a medicina e também para a perfumaria. Terão sido os árabes a cultivá-la, quando ocuparam esta zona da Península Ibérica, no século 8 d.C.

A planta tinha, em árabe, o nome “Al-Hassa” que resultou na palavra “alface”, em português.

 

Outra teoria diz que foram os habitantes das zonas circundantes de Lisboa – a quem os lisboetas denominaram de “saloios” – que “devolveram” a alcunha aos lisboetas apelidando-os de “alfacinhas”, numa espécie de troca de galhardetes.

E porquê? Porque os lisboetas domingueiros, a partir do século 19, começaram a adotar o hábito de se passearem pela zona saloia, com laços farfalhudos da moda que mais pareciam alfaces ao pescoço.

Importa recordar que os lisboetas chamavam “saloios” a estes habitantes, aparentemente, desde o tempo em que Afonso Henriques conquistou Lisboa aos mouros e permitiu que os conquistados vivessem naquelas zonas.

Vem, diz-se então, o nome Saloios de “Çaloyos”, porque rezavam a “Çala”. Era ainda da zona saloia que vinham os produtos agrícolas, das hortas e dos pomares, que abasteciam a cidade de Lisboa, onde estavam também incluídas as alfaces.

Há ainda quem diga ainda que a alcunha “alfacinhas” se prende com o facto de os lisboetas não se movimentarem muito para além da sua cidade e se pareçam, por isso, com as alfaces, presas à terra…

Enfim, seja porque a cidade, em tempos, era toda ela uma horta farta em alfaces, no tempo dos mouros, seja porque os saloios “atiraram” com a alcunha de alfacinhas aos lisboetas por causa dos laços de camisa farfalhudos ou por serem, outrora, conhecidos como presos à sua cidade… da alcunha “alfacinhas” não se livram os habitantes da capital.

Seguimos para o Porto!

 

A alcunha “tripeiros” tem uma origem não só honrosa como muito patriótica e que demonstra a dedicação da Invicta a causas que envolveram a dignidade e a independência de Portugal.

Na verdade, o epíteto nasceu de um grande espírito de sacrifício e de uma enorme firmeza de caráter do povo do Porto.

No século 15, o rei D. João I e o Infante D. Henrique organizaram em segredo a tomada de Ceuta (1415) e, embora ignorassem qual o destino de todos os preparativos e a razão da construção de tantas embarcações, no estaleiro de Miragaia, os habitantes do Porto uniram-se incondicionalmente para ajudar o Infante D. Henrique, nascido naquela cidade e responsável por todos todos aqueles preparativos.

 

E de tal forma se empenharam na ajuda a esta empreitada que fizeram um gigante sacrifício!

Forneceram toda a frota com as carnes que conseguiram arranjar, restando para os habitantes apenas as tripas com as quais se deviam alimentar. É motivo de honra e orgulho ter a denominação de “tripeiros”. Este empenho heroico dos portuenses ficou, esta é a verdade, registado na nossa História!!

 

Fonte: RFM

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